8 sinais de que você pode estar se conformando na relação

Principais pontos

  • Se você pensa “queria estar com alguém melhor”, talvez esteja aceitando menos do que deseja.
  • Justificar o comportamento da outra pessoa pode ser um sinal de que você não está feliz na relação.
  • Sentir um vazio emocional pode indicar que você precisa de uma relação diferente.

Se você está se perguntando se a relação realmente faz bem, talvez esteja se contentando com menos. Perceber os sinais disso pode ajudar a avaliar se a parceria combina com o que você deseja para o futuro. Neste artigo, vamos explorar indícios importantes de que talvez seja hora de repensar a relação.

Você está se contentando ou adotando expectativas realistas?

Será que você está se contentando com menos? Essa pergunta pode ser difícil de encarar, e encontrar uma resposta costuma ser ainda mais complicado. No fim das contas, só você pode decidir se a relação realmente atende às suas necessidades.

Quando começamos a viver relações amorosas, muitos de nós acreditamos que um dia vamos encontrar a pessoa perfeita, alguém especial que satisfaça todas as nossas necessidades e ainda vá além. Livros, filmes e programas de TV repetem a ideia de que, se mantivermos o coração aberto, o amor verdadeiro vai nos encontrar.

A vida real, porém, traz um paradoxo. Namoramos, terminamos e começamos de novo, até que, em algum momento, concluímos que ninguém é perfeito e que talvez alguém “bom o bastante” seja suficiente. Mas será mesmo? Você pode estar em uma relação razoavelmente boa e, ainda assim, sentir lá no fundo que algo não está certo.

Então, será que você está se contentando com menos? Ou o problema está em você? É melhor aceitar a pessoa legal que está ao seu lado, mesmo com suas imperfeições, ou continuar procurando? Como saber se você está achando que a grama do vizinho é mais verde ou se realmente precisa de algo diferente?

Vamos analisar tudo isso juntos.

Como é, na prática, aceitar menos do que se deseja?

Jon Dabach, PhD, conselheiro de casais e coach de relacionamentos, explica que existem duas formas diferentes de se contentar com menos.

A primeira acontece quando você tem uma lista de características que procura em alguém, como aparência, situação financeira, nível de escolaridade ou crenças religiosas. A pessoa não corresponde totalmente a esses critérios, mas você continua na relação. A segunda ocorre quando não há uma verdadeira intimidade emocional ou física entre vocês, mas, ainda assim, você permanece junto.

Ficar em uma relação por qualquer um desses motivos pode ser problemático. Um estudo publicado no Journal of Environmental Research and Public Health analisou 237 pessoas que estavam em relacionamentos e constatou que a satisfação sexual estava diretamente associada à satisfação com a relação para ambos os parceiros. Para as mulheres, a proximidade entre o casal também tinha grande importância.

“A intimidade física pode parecer mais uma obrigação do que uma vontade genuína de se conectar. Você também pode acabar diminuindo a importância das próprias necessidades ou ignorando a sensação de que algo não está bem”, afirma Amie Leadingham, coach certificada de relacionamentos.

Ela acrescenta que aceitar menos do que se deseja pode estar ligado a um medo profundo da solidão ou à crença de que você não merece, ou não vai encontrar, alguém capaz de atender às suas necessidades. “Essa mentalidade de que ‘é melhor do que nada’ pode prender alguém em uma relação que apenas continua, sem florescer. A pessoa passa a acreditar que qualquer tipo de conexão, mesmo quando não satisfaz emocionalmente, é preferível a ficar só”, diz.

Sinais de que você pode estar se conformando com seu relacionamento

Segundo o coach de relacionamentos Connell Barrett, autor do best-seller Dating Sucks but You Don’t e apresentador do podcast How to Get a Girlfriend, estes são três sinais de que você pode estar se conformando:

Uma mulher pensativa sentada à mesa da cozinha, refletindo em silêncio.
  • Você sente, lá no fundo: “Queria estar com alguém melhor”.
  • Amigos ou familiares questionam se essa pessoa é mesmo a certa para você.
  • A pessoa trata você mal ou com crueldade, ou pratica abuso emocional ou físico.

Leadingham acrescenta que outros sinais incluem:

  • Você vive justificando o comportamento da pessoa com quem se relaciona.
  • Você abre mão com frequência de valores essenciais e de limites que antes não aceitava negociar.
  • Você sente um vazio emocional persistente.
  • Você apenas segue a rotina, em vez de sentir entusiasmo genuíno pelo futuro que estão construindo juntos.
  • Ao imaginar o futuro de vocês, sente conformismo em vez de empolgação, e pensa com frequência “é o melhor que posso conseguir”, em vez de “é exatamente o que eu quero”.

Quais são os riscos de se conformar?

O maior risco de se conformar é deixar passar a oportunidade de viver um amor verdadeiro com alguém mais compatível com você.

Infográfico em grade com seis sinais de que alguém pode estar se contentando com menos em uma relação: desejar algo diferente, justificar comportamentos, abrir mão de limites, sentir falta de conexão, não se empolgar com o futuro e perceber problemas recorrentes sem mudanças.

“Conformar-se impede você de viver um amor e uma conexão genuínos. Também mantém você preso a uma situação que dificulta conhecer alguém que esteja realmente alinhado aos seus valores, atenda às suas necessidades e traga alegria à sua vida”, afirma Leadingham.

Conformar-se também pode levar a um término doloroso. “Quando você se conforma, isso costuma acabar em um rompimento ruim ou doloroso, ou em um divórcio caro e extremamente difícil”, diz Barrett.

Com o tempo, abrir mão de necessidades essenciais e de valores dentro de um relacionamento pode enfraquecer sua autoestima e levar à depressão, à ansiedade e à perda da própria identidade, acrescenta Leadingham.

Amie Leadingham, coach de relacionamentos

“Conformar-se impede você de viver um amor e uma conexão genuínos. Também mantém você preso a uma situação que dificulta conhecer alguém que esteja realmente alinhado aos seus valores, atenda às suas necessidades e traga alegria à sua vida.”

Amie Leadingham, coach de relacionamentos

Além disso, conformar-se pode tirar tempo da vida. Em um estudo de 2018 publicado na revista Current Psychology, pesquisadores da Universidade do Minho, em Portugal, observaram que, diante de uma situação hipotética de relacionamento infeliz e da possibilidade de terminar, os 900 participantes tinham maior probabilidade de permanecer na relação quando já haviam investido dinheiro e esforço nela.

Em um estudo de acompanhamento, alguns participantes foram questionados sobre quanto tempo estariam dispostos a dedicar a um casamento de um ano e a outro de dez anos. As pessoas do grupo do casamento de um ano disseram que investiriam 289 dias na relação. No grupo do casamento de dez anos, a resposta foi 583 dias.

Como saber se você está pronto para mudar

Você percebe que chegou a hora de mudar e deixar de se contentar com pouco quando vive, no relacionamento, um momento de fundo do poço, como o chama Barrett. “Esse ponto é diferente para cada pessoa, mas acontece quando a verdade aparece de forma dolorosa e você sente que algo precisa mudar”, afirma.

Para ele, isso ocorreu quando uma mulher com quem estava saindo o traiu. Barrett entendeu que a infidelidade não era a questão central. “O problema era que nós dois tínhamos aceitado uma relação que não combinava conosco. Ambos precisávamos encontrar alguém mais compatível”, diz.

Sentir que a relação consome cada vez mais sua energia, em vez de renová-la, ou ouvir constantemente uma voz interior dizendo que algo não está certo, mesmo tentando ignorá-la, também pode indicar que você está pronto para seguir em frente. “Talvez você perceba que já não consegue afastar o que sente de verdade nem justificar sua insatisfação”, diz Leadingham. “O medo de mudar ainda existe, mas começa a pesar menos do que a dor de continuar preso à situação.”

Acima de tudo, você começa a entender que merece mais do que apenas sobreviver dentro do relacionamento. “O desejo de viver com felicidade e realização genuínas passa a ser mais forte do que o conforto do que já é familiar”, acrescenta.

Passos para melhorar seu relacionamento

Comece identificando suas necessidades, seus sentimentos e seus limites. Assim como o artigo sobre tristeza perto do aniversário explica, acolher as próprias emoções exige reconhecê-las sem julgamento. Leadingham sugere escrever em um diário ou refletir com calma, sem se julgar nem tentar encontrar soluções imediatamente.

Dabach concorda. “Não abra mão do que é importante para você. Caso contrário, você pode acabar ressentido e terminar a relação mesmo assim. Permanecer por mais tempo só vai custar tempo e sofrimento”, afirma.

Converse sobre suas necessidades com seu parceiro, usando gentileza e compreensão. Se ele ficar na defensiva, Dabach recomenda manter a calma e explicar que tudo bem se não puder atender ao que você precisa, mas que, nesse caso, a relação não poderá continuar.

Durante a conversa, use frases começando com “Eu me sinto” para falar da sua experiência, em vez de fazer acusações. Por exemplo, Leadingham sugere trocar “Você nunca reserva tempo para nós” por “Tenho me sentido distante ultimamente. Podemos pensar em maneiras de passar um tempo de qualidade juntos?”.

Quando seu parceiro responder, escute com interesse sincero e empatia. Lembre-se de que ele também pode ter medos e necessidades que não estão sendo atendidas. “Tentem encontrar juntos pequenas ações concretas que ajudem a recuperar a conexão”, diz Leadingham.

Algumas ideias:

  • Reservar um período sem celulares todas as noites
  • Planejar encontros semanais
  • Começar terapia de casal ou buscar orientação para desenvolver melhores formas de comunicação

“O importante é encarar isso como um caminho que vocês percorrem juntos, trabalhando para promover mudanças positivas, em vez de tratar a relação como um problema que só uma pessoa precisa resolver”, afirma Leadingham.

Quando é hora de seguir em frente?

Se você percebeu que estava aceitando menos do que precisava e tentou melhorar a relação deixando claros seus limites inegociáveis, mas nada mudou, talvez seja hora de terminar.

“Se você está com alguém que não corresponde ao que considera essencial, faça um favor aos dois e encerre a relação”, diz Barrett. “É melhor enfrentar um pouco de dor agora do que sofrer muito mais depois, com um divórcio e tempo perdido. Encerre isso de uma vez.”

Tenha em mente

Se você sente, mesmo que de leve, que se acomodou no relacionamento, talvez seja hora de refletir e seguir em frente. Afinal, ficar por mais tempo pode significar abrir mão de ainda mais bem-estar e da possibilidade de ser feliz.

Quando estiver pronto para voltar a conhecer pessoas, Barrett sugere classificar cada novo encontro em uma de três categorias, conforme o potencial da pessoa como parceira: 1: Com certeza! 2: Talvez. 3: De jeito nenhum!

“Na vida amorosa, evite as opções de ‘De jeito nenhum’, não se contente com um ‘Talvez’ e continue procurando alguém que desperte um ‘Com certeza!’”, diz ele. “Para encontrar um amor pleno, você quer ficar com alguém que desperte esse ‘Com certeza!’, uma pessoa tão amorosa e especial quanto você.”

Como diferenciar uma fase difícil de um padrão persistente

Eu começaria observando há quanto tempo o problema está presente e se existe um motivo identificável para a tensão, como uma mudança importante ou um período de estresse. Uma fase difícil costuma ter algum contexto e pode oscilar. A duração, sozinha, não define o que está acontecendo, mas ajuda a perceber se a dificuldade está se prolongando sem sinais de mudança.

Um casal conversa com atenção à mesa, em um momento sério, mas tranquilo.

Também vale notar se os mesmos conflitos se repetem e o que acontece depois deles. Há espaço para conversar, entender o impacto e tentar uma abordagem diferente? Ou a situação volta ao mesmo ponto, sem que acordos sejam cumpridos? Um episódio isolado pode ser diferente de um ciclo recorrente, especialmente quando as conversas não produzem nenhuma mudança concreta.

Por fim, observe a disposição dos dois para lidar com o problema. Não é preciso que ambos reajam perfeitamente, mas é importante haver esforço mútuo para escutar, assumir responsabilidades e buscar soluções. Se apenas uma pessoa tenta reparar a relação enquanto a outra evita qualquer conversa ou compromisso, isso pode indicar uma dinâmica persistente, não apenas uma fase complicada.

Como a pressão de outras pessoas pode influenciar sua decisão

A família, os amigos e as expectativas sociais podem influenciar tanto a decisão de ficar quanto a de terminar. Algumas pessoas podem insistir que você preserve a relação por causa do tempo que passaram juntos, dos filhos ou da ideia de que um relacionamento deve durar a qualquer custo. Outras podem pressionar você a ir embora antes que tenha entendido o que realmente quer.

Um casal à mesa durante um jantar em família, sob a influência das opiniões dos parentes.

Eu tentaria separar o que os outros esperam do que você vive no relacionamento. Ouça quem se importa com você, mas lembre-se de que essas pessoas não sentem suas emoções nem conhecem todos os detalhes da sua rotina. Uma opinião pode ajudar a enxergar outra perspectiva, mas não precisa decidir por você.

Para clarear o que importa, pergunte a si mesmo: se ninguém opinasse, o que eu desejaria? Quais necessidades e limites são essenciais para mim? Essas respostas podem ajudar você a tomar uma decisão mais alinhada com a própria vida, sem ignorar conselhos, mas também sem deixar que a pressão externa fale mais alto do que sua experiência.

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