Ícone do site ConselhoNet

Como viajar com claustrofobia: dicas e tratamentos

Uma viajante faz uma pausa para respirar junto à janela do aeroporto antes de embarcar.

Principais pontos

Viajar com claustrofobia pode ser difícil, mas há maneiras de controlar os sintomas e aproveitar o percurso. Medicamentos como benzodiazepínicos e ISRS podem reduzir a ansiedade, e algumas medidas práticas podem deixar a viagem mais confortável. Eu explico como se preparar e encontrar alívio para a claustrofobia.

Medicamentos para claustrofobia

Para quem tem claustrofobia, um medo intenso e irracional de espaços fechados, uma viagem próxima pode causar ansiedade em vez de empolgação. A seguir, apresento formas de controlar os sintomas com medicamentos para claustrofobia e outras estratégias, para tornar a viagem mais agradável.

Antes de fazer uma viagem longa, converse com seu profissional de saúde ou terapeuta. Mesmo que você geralmente não use medicamentos para claustrofobia, essa pessoa pode recomendar uma dose baixa de um remédio para ansiedade, a fim de aliviar a tensão.

Dois medicamentos usados com frequência para controlar a ansiedade relacionada a viagens são os benzodiazepínicos e os inibidores seletivos da recaptação de serotonina, conhecidos como ISRS. Os benzodiazepínicos podem reduzir a ansiedade rapidamente, pois diminuem a atividade do sistema nervoso central. Já os ISRS bloqueiam a recaptação de serotonina e podem demorar mais para fazer efeito.

Os benzodiazepínicos e os inibidores seletivos da recaptação de serotonina, ou ISRS, são duas opções comuns para lidar com a ansiedade durante viagens. Os benzodiazepínicos agem relativamente rápido ao desacelerar a atividade do sistema nervoso central. Os ISRS, por sua vez, podem levar mais tempo para funcionar porque impedem a recaptação de serotonina.

Ao usar medicamentos para claustrofobia, siga com atenção as orientações do profissional que acompanha você. Talvez seja necessário começar a tomar o remédio alguns dias antes da viagem para que ele tenha tempo de agir. Também pode haver recomendação para evitar bebidas alcoólicas ou adotar outras medidas de segurança.

Adolescentes, adultos jovens e pessoas que usam cocaína ou heroína têm maior risco de abusar de benzodiazepínicos. Se você se encaixa em algum desses grupos, converse com seu profissional de saúde sobre outras opções de medicamentos.

O risco de overdose também aumenta quando benzodiazepínicos são combinados com outras drogas, como opioides. Por isso, informe ao profissional de saúde sobre qualquer substância que você use, seja legal ou ilegal.

Como lidar com gatilhos de claustrofobia durante viagens

Algumas formas de viajar podem desencadear sintomas de claustrofobia. A seguir, explico quais situações podem ser difíceis e como lidar com elas.

Viagens de avião

Viajar de avião pode ser complicado para quem tem claustrofobia. Algumas escolhas podem ajudar você a se sentir mais à vontade a bordo. Por exemplo, se você tem medo de altura, chamado acrofobia, escolha um assento no corredor. Se receia ficar preso no avião, prefira um lugar na parte da frente para conseguir sair mais rapidamente.

Viagens de carro

Longos trajetos de carro também podem ser desconfortáveis para quem tem claustrofobia. Uma vantagem desse meio de transporte é que você pode parar e sair do veículo quando precisar. Fazer pausas frequentes para se alongar, dividir viagens longas em trechos menores e escolher boas companhias podem ajudar você a relaxar durante o percurso.

Trens

Embora sejam menos usados, os trens ainda são uma opção a considerar, principalmente para quem também tem medo de voar, conhecido como aerofobia. Em comparação com os aviões, eles oferecem vantagens como mais espaço para as pernas, assentos maiores e liberdade para caminhar.

Navios de cruzeiro

Quem tem claustrofobia pode recear ficar confinado em uma cabine pequena. No entanto, os navios modernos se parecem com cidades flutuantes e têm muitas áreas abertas. Para se sentir mais à vontade em alto-mar, eu escolheria uma cabine confortável e conheceria bem os espaços da embarcação.

Viagens de ônibus

Viajar de ônibus costuma ser uma alternativa mais barata do que voar ou pegar o trem. Porém, os assentos pequenos, o pouco espaço para as pernas e a proximidade com outros passageiros podem ser difíceis para quem tem claustrofobia. Para lidar melhor com uma viagem longa, eu consideraria trajetos menos movimentados e horários fora dos períodos de pico.

Outras formas de lidar com a claustrofobia durante viagens

Um profissional de saúde pode ajudar a aliviar o medo intenso durante uma viagem de outras maneiras, além de indicar medicamentos. Ele pode ensinar, por exemplo, técnicas de visualização guiada e outros exercícios de relaxamento para acalmar os nervos durante o deslocamento.

Procure praticar essas técnicas antes da viagem. Alguns exercícios podem levar vários dias para serem aprendidos.

Se puder, viaje também com um amigo ou familiar que ofereça apoio. Essa pessoa pode ajudar você a lidar com a ansiedade, acompanhar exercícios de relaxamento ou simplesmente manter sua atenção em outra coisa. Um acompanhante também pode cuidar de tarefas como despachar a bagagem, caso isso cause desconforto.

A claustrofobia pode afetar as viagens de diferentes maneiras. Com algum planejamento prévio, porém, ela não precisa impedir você de conhecer o mundo.

Como pedir apoio e acomodações antes da viagem

Eu recomendo entrar em contato com a companhia ou com a equipe responsável pelo transporte assim que possível, de preferência antes de concluir a reserva ou logo depois. Explique de forma objetiva quais situações podem causar desconforto e pergunte quais opções estão disponíveis para esse trajeto.

Você pode perguntar se há possibilidade de embarque antecipado, escolha de um assento específico ou acesso a informações sobre o ambiente, como a disposição dos espaços e o funcionamento do embarque. Essas opções variam conforme a empresa, o serviço e as condições da viagem, então confirme o que realmente pode ser oferecido antes de contar com qualquer acomodação.

Se a equipe confirmar alguma opção, peça orientações sobre como solicitá-la e se há prazo ou procedimento específico. Quando possível, guarde a confirmação por escrito e confira os detalhes novamente antes da partida.

Como apoiar alguém com claustrofobia durante a viagem

Antes de viajar, converse com a pessoa sobre o que costuma ajudá-la e o que pode piorar o desconforto. Pergunte de que tipo de apoio ela gostaria, como ter mais espaço, fazer uma pausa ou simplesmente receber companhia em silêncio. Combinem também um jeito simples de sinalizar que ela está ficando ansiosa, sem precisar explicar tudo na hora.

Durante a viagem, respeite os limites que ela expressar e deixe que participe das decisões sobre o que fazer. Ofereça opções com calma, mas não insista para que entre em um lugar ou permaneça nele. A astrafobia também pode afetar a experiência de viagem; conhecer o medo de trovões e relâmpagos ajuda a respeitar o ritmo de cada pessoa. Acompanhar alguém não significa decidir por essa pessoa, e o apoio funciona melhor quando ela mantém o controle sobre o próprio ritmo.

Evite frases como “não é nada” ou “você precisa enfrentar isso”. O medo pode ser intenso mesmo quando você não percebe um perigo imediato. Escute sem julgar, reconheça o que a pessoa está sentindo e pergunte novamente do que ela precisa. Se o plano combinado deixar de funcionar, ajustem-no juntos, sem cobranças.

Sair da versão mobile